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Endometriose e infertilidade

O endométrio é um tecido glandular que cresce por estímulo hormonal, com o objetivo de fazer com que mulher fique grávida. Todo mês, quando se inicia um ciclo menstrual, os hormônios produzidos pelos ovários induzem o crescimento do endométrio que aumenta de espessura durante os primeiros 14 dias do mês, chegando a aproximadamente 11 milímetros, que culmina com o período ovulatório da mulher.

 

Reprodução Assistida

Quando o endométrio cresce fora do útero, desenvolve-se um processo inflamatório chamado endometriose. A consequente infertilidade vem em decorrência dessa inflamação, que gera um ambiente imunologicamente hostil em toda a região pélvica, podendo reduzir a qualidade do óvulo e do embrião, reduzir a capacidade de fecundação do óvulo pelo espermatozóide e diminuir a capacidade da implantação do embrião no endométrio. Deste modo, pode-se dizer que há uma série de alterações causadas pela doença que contribuem para o quadro de infertilidade da mulher.

É extremamente importante ser coerente sobre o tratamento da infertilidade em mulheres com endometriose.
As medicações disponíveis são indicadas para aliviar os sintomas dolorosos da doença, mas não trata o problema. Todos as opções existentes, sejam eles, progesteronas isoladas, pílulas anticoncepcionais combinadas, análogos do GnRH ou DIU de levonorgestrel, são medicações hormonais, cujo objetivo principal é causar atrofia do foco de endometriose porém, concomitantemente, promovem a inibição da proliferação do endométrio na cavidade uterina, onde o óvulo fecundado iria se instalar e portanto, não permitem que as mulheres em uso dessas medicações engravidem.

Quando ocorre a fecundação do óvulo pelo espermatozóide, forma-se o embrião, o qual irá se implantar no endométrio dentro da cavidade uterina e a gravidez irá se desenvolver. Ao encontrar um útero sem endométrio, o embrião não consegue se fixar e não acontece a gravidez. Logo, o endométrio é como um terreno fértil: a semente só germina se houver condições férteis para seu desenvolvimento. Ele não é um tecido ruim, ao contrário, é fundamental para o processo de gravidez. O problema surge quando ele se apresenta fora do útero, seu local natural.

As técnicas de reprodução assistida como a inseminação intra-uterina ou a fertilização in vitro são consideradas a primeira escolha terapêutica para mulheres com diagnóstico de endometriose que apresentam o quadro de infertilidade apenas, sem queixa de dor. Infelizmente, a maioria das mulheres com endometriose, sofrem dos dois problemas concomitantemente, dor e infertilidade.

Infertilidade

Em mulheres com infertilidade, a presença de endometriose ovariana ou endometrioma representa um problema considerado preocupante. O crescimento de um cisto com conteúdo espesso dentro do ovário, que pode atingir grandes dimensões, irá comprimir o parênquima, a parte sadia do ovário, reduzindo a capacidade funcional do órgão, ou seja, de produzir óvulos. A remoção deste tipo de cisto, quando indicada, deve ser realizada preferencialmente por videolaparoscopia, sendo um procedimento extremamente delicado, onde é necessário muito cuidado para não danificar o tecido ovariano sadio, pois isso pode também reduzir a capacidade reprodutiva. Leia mais aqui.

Preocupação maior deve ser tomada em pacientes que apresentam esse tipo de cisto nos dois ovários e ainda em mulheres que já tenham sido submetidas a tratamento cirúrgico prévio para remoção de cistos de endometriose nos ovários. A reserva ovariana poderá se comprometer consideravelmente em casos de re-operações de ovário, ainda mais quando bilaterais.

Há uma controvérsia na literatura médica com relação ao melhor momento de se propor o tratamento cirúrgico através da videolaparoscopia em pacientes inférteis, se antes ou após tentativas de fertilizações in vitro.

Para casos de endometriose superficial o tratamento cirúrgico apenas é comprovadamente efetivo para aumento das taxas de gravidez, porém, em casos de endometriose profunda e ovariana, em pacientes sem dor, que apresentam cistos de endometriose no ovário de pequeno volume (até 4 cm), é recomendado primeiramente a realização de fertilização in vitro embora alguns estudos observaram aumento nas taxas de gravidez em mulheres submetidas inicialmente ao tratamento cirúrgico.

Em medicina, todos os casos devem ser individualizados. Deste modo, cada paciente deve ter seu histórico avaliado por um especialista (ou mais de um), para que chegue a um consenso de melhor opção terapêutica.