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Tratamentos: Cirurgia de endometriose

Tratamento cirúrgico

O tratamento cirúrgico é a única forma, até então, de se tratar a endometriose. Ele tem por objetivo aliviar a dor, restaurar a anatomia pélvica e melhorar a capacidade reprodutiva. O que se busca no procedimento é a eliminação de todas as lesões possíveis, para evitar a persistência da doença e diminuir as taxas de recorrência.

Pra quem está indicado?

  • Mulheres que possuem quadro de dor associado a desejo reprodutivo imediato;
  • Mulheres que não experimentaram alívio dos sintomas com tratamento medicamentoso, ou mesmo que apresentem um quadro de evolução da doença, mesmo em vigência do tratamento medicamentoso;
  • Mulheres com endometriose profunda comprometendo o apêndice ileocecal, com lesões profundas passíveis de promover obstrução em íleo e ureter e ainda as portadoras de endometriomas ovarianos de grande volume;
  • Mulheres com diagnóstico de endometriose confirmado por ultrassom transvaginal com preparo intestinal ou ressonância magnética e que evoluem com infertilidade sem resultado positivo após duas tentativas de fertilização podem se beneficiar de tratamento cirúrgico antes da terceira tentativa, mesmo que apresentem pouca dor ou seja assintomática.
Cirurgia Endometriose

Vídeo-laparoscopia

É uma técnica cirúrgica minimamente invasiva que permite identificar com detalhes lesões de endometriose que muitas vezes não são visíveis na cirurgia convencional. Não é possível realizar uma cirurgia de endometriose aberta (técnica convencional) e obter o mesmo grau de satisfação com o resultado quando comparado à laparoscopia, porque muitos focos da endometriose não são vistos a olho nu.

A cirurgia laparoscópica é uma modernização da cirurgia convencional onde se utilizam equipamentos especiais como fibra ótica, microcâmera full HD, telescópios e fontes de luz de xenônio que permitem visibilização amplificada da cavidade abdominal.

 

A técnica laparoscópica não é ensinada na imensa maioria das residências de ginecologia no Brasil e requer que o profissional se especialize após esse período. Dentre os procedimentos cirúrgicos em ginecologia que atualmente são realizados por laparoscopia, o tratamento cirúrgico da endometriose é considerado de grande complexidade pois o cirurgião deve dominar tanto a técnica cirúrgica quanto apresentar conhecimento absoluto da anatomia pélvica retroperitoneal devido às características infiltrativas da doença, a proximidade com estruturas anatômicas nobres como veias e nervos e as aderências entre os órgãos típicas da doença.

Como é a cirurgia?

O procedimento é realizado através de pequenas incisões localizadas em cada lado da região pélvica e na região central no baixo ventre por onde entram as pinças, as quais permitem a realização do tratamento e um telescópio acoplado a uma microcâmera. Essa câmera filmadora amplia 20 vezes o tamanho da imagem e a lâmpada de xenônio faz uma iluminação excelente do local, permitindo uma ótima condição cirúrgica.

A câmera consegue chegar bem perto da lesão, ampliá-la e mostrar ao cirurgião detalhes como veias, artérias, nervos, em geral, estruturas que não devem ser confundidas com o tecido doente.

O cirurgião deverá ser capaz de identificar e preservar os tecidos sadios ao remover os focos da doença e, de acordo com sua habilidade de remover a maior quantidade de tecido comprometido, representará em melhores condições clínicas pós-operatórias.

A Endometriose tem muitas faces!

Alguns casos são difíceis de ser identificados até por videolaparoscopia, desafiando até mesmo os cirurgiões mais experientes.

Um exemplo: quando a doença está localizada abaixo do peritônio. Às vezes, os exames diagnósticos apontam um pequeno foco no peritônio e, durante a cirurgia, descobre-se um nódulo grande por baixo do retroperitônio, como se fosse um iceberg.

Cirurgia de Endometriose

 

nodulo

Se não houver uma investigação minuciosa durante o procedimento, corre-se o risco de realizar apenas uma coagulação (cauterização) na parte superficial da lesão e não remover o nódulo retroperitonial que, por infiltrar os nervos desta região, causam dores.

 

A paciente recebe alta pensando que está tratada quando na verdade não está, evoluindo com persistência dos sintomas. É uma situação muito delicada pois muitas vezes essas pacientes com lesões não removidas no ato cirúrgico (lesões persistentes) são convencidas a acreditar que tiveram a doença tratada e que a persistência dos sintomas estaria associado a recorrência da doença.

Há de se ter bastante cautela para analisar quando uma lesão é persistente e quando é uma lesão de fato recorrente. Nos casos de endometriose profunda, quando a paciente é operada de modo adequado e o cirurgião sai convencido de ter removido 100% das lesões, a taxa de recorrência é em torno de 5%, ou seja, há uma chance de 95% de estabelecer uma cura por tempo

Em casos de endometriose peritoneal superficial, caso a paciente não apresente desejo reprodutivo imediatamente apos a cirurgia, é recomendável manter a paciente em amenorréia com intuito de evitar a menstruação retrograda e consequentemente a instalação de novos focos.

O tratamento cirúrgico da endometriose ovariana é outra situação extremamente delicada pois no momento de remover a pseudo-capsula do endometrioma pode danificar o tecido sadio ovariano levando a uma redução da reserva ovariana e consequentemente diminuindo a capacidade reprodutiva da mulher.

A capacitação do cirurgião está diretamente associada ao sucesso reprodutivo após a cirurgia. Infelizmente, existem profissionais que não possuem experiência suficiente para trabalhar em casos complexos de endometriose. Uma cirurgia ovariana mal sucedida pode resultar em um enorme prejuízo a capacidade de engravidar e até induzir uma falência ovariana precoce.
Como é a Cirurgia de Endometriose
Lesão de ligamento úterossacro esquerdo aparentemente pequena.
Como é a Cirurgia de Endometriose
Apos ressecção a mesma lesão se apresenta como um grande nódulo de aproximadamente 3,0 cm.
Como é a Cirurgia de Endometriose
Nódulo totalmente removido com exteriorização de conteúdo achocolatado, típico de lesões de endometriose profunda.